sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

(autor desconhecido)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fernanda Montenegro recitando Simone Beauvoir - Globo News

A fotografia do cinema
   o olhar a criar estratagemas
a luz como diamante-gema
   a inventariar seu próprio tema
os refletores, os roteiros,os poemas
      o céu que cria um chão mestiço.
No flashback, um rio colhe tempestades
e na antesala do paraíso
 há um desasossego de terras
é tudo uma questão de ponto de vista
entre tons vermelhos e azuis piscinas
a angústia ou o canto dos uirapurus
a força dos operários, punks, sacis, caiporas
Glauberes, Bressanes, vamo'simbora.
                                                              Orlando Rangel

sábado, 27 de abril de 2013

"Não se pode confiar no Imperialismo
nem um tantinho assim. Nada
Porque a natureza do imperialismo
é a que bestializa os homens.
Que os convertem em feras sedentas de sangue,
que estão dispostas a degolar, 
a assassinar a última imagem de um revolucionário."
                                                      Che Guevara