sábado, 1 de setembro de 2018

A originalidade da literatura de Julio Cortázar

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Autor argentino rompeu os moldes clássicos em seus livros. Para celebrar o 104º aniversário do escritor, selecionamos 10 de suas principais obras

Um dos autores mais originais de seu tempo, Julio Cortázar rompeu com os padrões clássicos, transgrediu no modo de escrever suas histórias e revolucionou a literatura latinoamericana. Comparado a Edgar Allan Poe Jorge Luis Borges, o escritor ficou conhecido no meio literário por adotar o realismo mágico em seus livros e por ser mestre nos contos. A obra mais emblemática do argentino é O jogo da amarelinha, na qual ele construiu uma narrativa única e aberta a múltiplas leituras.
Filho de pai diplomata, Cortázar nasceu em 26 de agosto de 1914, em Bruxelas, na Bélgica. No entanto, foi morar na Argentina com a mãe, aos 4 anos, após a separação de seus pais. Foi ela quem começou a incentivá-lo a ler. Em 1938, o escritor começou a estudar e dar aulas na Faculdade de Filosofia e Letras, mas renunciou logo no início da ditadura argentina.
Andávamos sem nos procurar, mas sabendo sempre que andávamos para nos encontrar.”
Aos 37 anos, ainda no período de ditadura militar, Cortázar recebeu uma bolsa de estudos em Paris, na França, e decidiu mudar-se. O autor foi casado duas vezes: com a tradutora argentina Aurora Bernárdez, entre 1953 e 1967, e com a escritora americana Carol Dunlop, nos anos de 1981 e 1982. No período em que ficou fora de seu país de origem, o autor também viajou por diversos lugares para participar de conferências e premiações, como Costa Rica, Cuba e Chile.
No primeiro ano de seu segundo casamento, Cortázar descobriu uma hemorragia gástrica e, em 1982, sofreu uma profunda depressão por causa da morte da mulher. No ano seguinte, decidiu viajar para a Argentina para comemorar o retorno da democracia no país. O escritor morreu de leucemia, em 1984, e foi enterrado na mesma tumba que Carol, na França.
Qual sua obra favorita de Julio Cortázar? Para homenagear o escritor argentino, selecionamos suas dez principais obras. Lista inclui títulos clássicos como O jogo da amerelinha BestiárioConfira!

O jogo da amarelinha

Esse é considerado um dos livros mais emblemáticos de Julio Cortázar. Em O jogo da amarelinha, o autor argentino transgrediu a ordem tradicional de uma história e fez uma narrativa única, aberta a múltiplas leituras e bem-humorada. Na obra, o escritor retrata um clima de rupturas e incertezas, mesclando elementos da nova cultura de massas, como novela de rádio, arte pop e música popular, e características de vanguarda, como quebras e finais falsos.
O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar

Histórias de cronópios e de famas

Em Histórias de cronópios e de famas, Julio Cortázar utiliza narrativas curtas e despretensiosas para apresentar uma visão poética e bem-humorada dos acontecimentos cotidianos. O escritor nos convida ainda para um universo fantástico, com criaturas como cronópios, seres verdes e úmidos que vivem de poesia, e os famas, que são mais práticos e organizados.
Histórias de cronópios e de famas, de Julio Cortázar

Bestiário

Bestiário foi a primeira obra em que Julio Cortázar afirmou se sentir “seguro do que queria dizer”. As histórias que compõem este volume falam de objetos e acontecimentos cotidianos, passam para a dimensão do pesadelo ou da revelação de modo natural e imperceptível. Em cada conto, surpresa e inquietação são acrescentadas ao indescritível prazer de lê-los.Bestiário, de Julio Cortázar

As armas secretas

Nesta coletânea de contos, há duas obras-primas do escritor Julio Cortázar: As babas do diabo O perseguidor. No primeiro texto, que depois foi adaptado para os cinemas, o autor aproxima a linguagem literária da fotográfica. Já o segundo, baseado na vida do saxofonista Charlie Parker, é o de maior destaque no livro As armas secretas
As armas secretas, de Julio Cortázar

Octaedro

Com o mínimo de elementos formais, parte de um núcleo central de Octaedro leva-nos para situações incomuns dentro de microcosmos humanos, universos isolados e rodeados por forças ameaçadoras e misterioras. Esse volume de contos mostra o auge da criatividade de Julio Cortázar. Em cada texto, o real passa a ser interpretado como inseparável do imaginário, fazendo supor a existência de outra ordem que desconhecemos. 
Octaedro, de Julio Cortázar

Final do jogo

Outro livro marcante de Cortázar, Final do jogo é uma poderosa brincadeira com o leitor. O livro reúne 18 contos que se dividem em três níveis de dificuldade, do mais fácil ao difícil, como se fosse realmente um jogo. Cada nível é medido pelo esforço que deve se fazer para entender ou crer em cada um dos textos. Um dos contos principais é Continuidade dos parques.Final do jogo, de Julio Cortázar

Os prêmios

Esse livro não está disponível nas livrarias tradicionais. Um dos principais livros da literatura hispano-americana, Os prêmios envolve o leitor em seus mistérios e o carrega para dentro de um estranho labirinto, no qual todos nós perdemos e, paradoxalmente, acabamos por nos encontrar com nós mesmos de maneira insólita.  Os prêmios, de Julio Cortázar

O perseguidor

Publicado inicialmente na coletânia Armas secretasO perseguidor realiza a busca do “fato humano essencial”. Inspirado na vida do genial jazzista Charlie Parker, o livro descreve os últimos dias de Johnny Carter, virtuoso saxofonista que se debate desesperadamente na fronteira entre a lucidez e a destruição, entre a arte e o delírio do alcoolismo. 
O perseguidor, de Julio Cortázar

Papéis inesperados

Este livro foi publicado após 26 anos da morte de Julio Cortázar com textos inéditos. Papéis inesperados reúne poemas, autoentrevistas, fotografias, pintura, música e manuscritos inéditos, produzidos entre 1930 e 1980. Descobertos no fim de 2006, os documentos confirmam a genialidade do escritor argentino, considerado um dos melhores autores do século XX. Papéis inesperados, de Julio Cortázar

O exame final

Esse também é um dos livros que você não encontra nas livrarias tradicionais. Em Exame final, um grupo de amigos vagueia pela capital Buenos Aires, na Argentina, no início da década de 1950. Os personagens são tomados por uma inexplicável, pegajosa e metafórica neblina.
O exame final, de Julio Cortázar




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